quarta-feira, 16 de abril de 2008

Frase do dia

" É necessário que a sociedade moderna comece a entender que a Ciência em sí não é útil nem prejudicial, mas pode ser uma coisa ou outra segundo seja utilizada para SERVIR AO HOMEM OU PARA DEGRADÁ-LO... O verdadeiro perigo está no homem, no desequilíbrio cada vez mais inquietante entre seu poder que vai aumentando e sua prudência que vai diminuindo ".

Jerôme Lejeune, Manipulaciones Genéticas - extraído do periódico "La Voz de Galicia", de 04 de abril de 1980.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Por uma comunicação mais eficaz em favor da vida

Por Paul Swope

O movimento pró-vida defende um princípio vital para a civilização: a inviolabilidade da vida humana. Para influir de fato na opinião pública, é necessário melhorar a comunicação, de forma a responder às preocupações reais das mulheres. Com base em campanhas de televisão bem sucedidas nos EUA, Paul Swope propõe uma nova estratégia pró-vida em artigo publicado na revista First Things, do qual apresentamos aqui um resumo.

Os últimos estudos psicológicos sobre o processo mental das mulheres que abortam permitem entender por que os movimentos pró-vida não foram tão eficazes quanto seria de se esperar para convencê-las a apostar pela vida. Esses estudos indicam que a americana moderna em idade de ter filhos não vê o aborto na mesma moldura moral que a ativista pró-vida. A nossa mensagem não é bem recebida porque cometemos o erro de pensar que as mulheres, especialmente aquelas que enfrentam o trauma de uma gravidez não desejada, responderão aos princípios que nós consideramos evidentes de acordo com a nossa perspectiva moral, e argumentamos em conseqüência. Este é um erro de cálculo que prejudicou gravemente a causa pró-vida. Embora não compartilhemos a forma como muitas mulheres focalizam o tema, a importância da nossa missão e o imperativo de ser eficazes torna necessário que escutemos, entendamos e respondamos às preocupações reais das mulheres que optam pelo aborto.

Pensa-se hoje que o hemisfério direito do cérebro controla os aspectos emocionais, intuitivos e criativos da pessoa, ao passo que as questões analíticas e racionais são elaboradas pelo hemisfério esquerdo. O estudo do hemisfério direito trata de descobrir as razões emocionais pelas quais tomamos certas decisões ou pelas quais temos certas convicções. Este enfoque tem aplicações óbvias em um tema como o aborto, uma vez que uma mulher em plena crise não consegue resolver seu problema de um modo lógico e .frio, apenas com o hemisfério esquerdo.

A importância da nova ótica é evidente à luz dos resultados revelados por uma ampla pesquisa da Caring Foundation, levada a cabo por uma empresa líder neste tipo de pesquisa. O procedimento consistiu em uma série de entrevistas profundas e exaustivas, para conseguir respostas íntimas emocionais. Os resultados (1995-1997) têm um nível de confiança de 95%.


OS TRÊS MALES

Um dos objetivos era responder a uma questão que há tempos desconcertava os pró-vida. Como é possível que as mulheres – e de modo geral a maioria dos cidadãos –, sejam pessoalmente contra o aborto, mas ao mesmo tempo favoráveis a que seja mantida a sua legalidade? Os pró-vida, ao considerarem que, do ponto de vista moral, não é possível sustentar ao mesmo tempo que o “aborto mata” e que o “aborto deve ser legal”, tentaram mostrar com maior clareza que o feto é um ser vivo. Supõem que, ao assumir a humanidade dos não-nascidos, o imperativo moral lógico “não se deve matar um bebê” prevalecerá de modo natural e, conseqüentemente, as mulheres escolherão a vida para seus filhos não-nascidos.

A nova pesquisa mostra que essa formulação do problema foi pouco eficaz e pode ser melhorada. As mulheres pensam que, de uma gravidez não planejada, não pode resultar nada de bom. Por essa razão, hesitam entre aquilo que consideram três males: maternidade, adoção ou aborto.

A maternidade não planejada, de acordo com estes estudos, representa uma ameaça grave para as mulheres modernas. Isso porque muitas mulheres jovens desenvolveram uma identidade que simplesmente não contempla a possibilidade de serem mães. Pode abranger coisas como fazer a Universidade, obter um título universitário, conseguir um bom trabalho e, até, casar algum dia; mas a maternidade é percebida por elas como uma intrusão repentina nos seus planos, como uma perda total de controle sobre a sua vida presente e futura.

Ao considerarem a decisão de abortar, não o fazem, como podem pensar os pró-vida, pesando as opções “levar a termo uma gravidez não desejada” ou “destruir a vida de uma criança inocente”. Elas sentem a alternativa de um modo diferente: “a minha vida acabou” ou “a vida desta criança precisa acabar”. A partir desta perspectiva, a escolha do aborto se transforma em um modo de defender-se, posição mais defensável tanto para a protagonista quanto para aqueles que a apóiam.


POR QUE REJEITAM A ADOÇÃO

A adoção, infelizmente, é para elas a “pior” das três opções. Representa uma “dupla morte”: primeiro, a “morte própria”, pois deverá levar a gravidez até o final para depois tornar-se uma mãe ruim, capaz de entregar seu filho a estranhos; e segundo, a “morte” do filho, “abandonado”, pelo qual ela viverá atormentada.

Mesmo que desejemos que a mulher aceite o slogan “Adoção sim, aborto não”, este estudo conclui que diante da alternativa adoção/aborto, a adoção sairá perdendo. A atitude dessas mulheres em relação ao aborto é bastante surpreendente. Em primeiro lugar, todas as entrevistadas (nenhuma era “pró-vida” e todas se diziam partidárias da “escolha”) reconheciam que o aborto mata. Embora esta convicção esteja, sem dúvida, “inscrita no coração humano”, o mérito de ter mostrado isso corresponde ao trabalho educativo levado a cabo pelo movimento pró-vida. Em segundo lugar, essas mulheres reconhecem que o aborto é mau, é um erro, e que Deus castigará aqueles que o praticarem. Terceiro, acreditam que serão perdoadas por Deus, porque Ele é clemente e elas não tinham intenção de engravidar, e porque em semelhante situação “não havia opção”, na medida em que era a vida delas que estava em jogo.

Em poucas palavras, o aborto é considerado por elas como o menor dos três “males” porque oferece a maior garantia de esperança de preservar seu “eu”, a sua própria “vida”. É preciso destacar que a principal preocupação entre as três opções gira em torno da mulher e não do não-nascido, e assim fica explicado o atrativo pela retórica “pró-escolha”. Escolha que concede à grávida em crise certa sensação de controle sobre o seu futuro, e ao mesmo tempo permite àqueles que rejeitam o aborto pessoalmente experimentar compaixão por aquelas que recorrem a ele.


POR QUE A REJEIÇÃO?

O relatório revela outra fonte fundamental de frustração e fracasso do movimento pró-vida: um quarto de século de pesquisas mostrou reiteradas vezes que a maior parte dos americanos rejeitam o aborto e que as mulheres são ligeiramente mais pró-vida que os homens. Porém ambos gostam mais do rótulo “pró-escolha” que do pró-vida.

A pesquisa indica que a dificuldade de obter apoio público não é devida ao trato injusto recebido por parte dos meios de comunicação, embora este fator tenha sem dúvida um papel importante. Os slogans dos movimentos pró-vida e as campanhas educativas tenderam a agravar o problema porque estavam centrados quase que exclusivamente no filho não nascido e não na mãe, provocando assim ressentimentos em vez de despertar simpatia, particularmente nas mulheres em idade de ter filhos. Por essa razão, é lógico que as primeiras pessoas que perceberam a necessidade de um enfoque diferente tenham sido aquelas que trabalhavam diretamente com as mulheres em crise.

Consideremos um exemplo de frase pró-vida: “O aborto faz que um coração pare de bater”. Mesmo que essa frase seja eficaz entre os pró-vida, o seu efeito entre mulheres jovens em crise provavelmente será: 1) provocar raiva contra a mensagem; 2) confirmá-las na opinião de que os pró-vida não entendem a sua situação; 3) mergulhá-las ainda mais numa atitude negativa e desesperançada. Se a meta dos pró-vida é diminuir o número de abortos e não apenas constatar um fato, devemos perguntar-nos se uma mensagem como essa na realidade não é contraproducente.

A pergunta, talvez inconsciente mas fundamental, que a mulher formula para si mesma é: “Como poderei conservar o controle da minha vida?” O movimento pró-vida deve ter em conta o ponto de vista da mulher, e fazê-lo de uma maneira compassiva que reafirme as inatas e íntimas convicções da sua consciência. Sem condenar nem estigmatizar, deve ajudar a mulher a reconsiderar o modo como percebe os três “males” que se lhe apresentam.


UM EXEMPLO DE SUCESSO

A seguinte propaganda para TV foi elaborada pela Caring Foundation. O seu ponto de partida é analisar a situação da mulher e não a da criança, fazendo com que as telespectadoras possam se identificar com a personagem: “Eu tinha 16 anos quando soube que estava grávida de Carrie. Não estava casada e sentia-me profundamente assustada. Algumas pessoas dizem-me hoje que eu deveria ter feito um aborto, mas na verdade nunca me ocorreu pensar que tivesse essa possibilidade só porque tinha um problema. Olhe, não me considero mártir nem heroína, mas realmente não acredito que tivesse opção depois de ter engravidado. Pense nisso você também”.

domingo, 13 de abril de 2008

Uma história repugnante

A reportagem abaixo é apenas um dos lados escondidos pelos defensores do aborto que propositalmente a deixam de lado em qualquer apologia a prática, sob o altíssimo risco de fazer o edifício argumentativo pró-escolha, ruir completamente. Aqui a verdade transparece e os sofismas dos direitos sexuais e reprodutivos mostram sua face real, negra, desumana. Não apenas na prática, mas sobretudo, na mentalidade, na cultura de morte que se pode criar quando o ser humano age contra ele mesmo.


Trabalho jornalístico fala sobre o último elo de uma cadeia: o destino final dos fetos

CARLOS HEITOR CONY

DOIS JORNALISTAS ingleses, Michel Litchfield e Susan Kentish, fizeram há tempos uma ampla pesquisa sobre a indústria do aborto em Londres. O resultado foi um livro que causou espanto e merece, ao menos, uma reflexão de todos os que se preocupam com o assunto. "Babies for Burning" (bebês para queimar, editado pela Serpentine Press, de Londres) não é um ensaio sobre o aborto, mas um trabalho jornalístico sobre o último elo de uma cadeia: o destino final dos fetos que anualmente são retirados de ventres que não desejam ou não podem ter filhos ou "aquele filho".

No caso da Inglaterra, já existe uma lei, o "Abortion Act", de 1967, que permite a interrupção do processo de gravidez pela eliminação mecânica.

Os autores souberam, por meio de informações esparsas, que a indústria do aborto, como qualquer indústria moderna, tinha uma linha de subprodutos: a venda de fetos humanos para as fábricas de cosméticos. Durante a Segunda Guerra, os nazistas também exploraram esse ramo do negócio: matavam judeus aos milhões e aproveitavam a pele e a escassa gordura das vítimas para uma linha de subprodutos que iam de bolsas feitas de pele humana a sabões que lavavam os uniformes do Exército do 3º Reich.
Os ingleses não chegam a ser famosos pelas bolsas que fabricam, mas pelo chá e pelos sabonetes - os melhores do mundo.

Um "english soap" sempre me causou pasmo pela maciez, a consistência da espuma, a sensação de limpeza que dá a pele. Não podia suspeitar que tanto requinte pudesse ter -em alguns deles- as proteínas que só se encontram na carne -e carne humana por sinal. Desde que li o livro, cortei drasticamente dos meus hábitos de higiene o uso dos bons e estimulantes sabonetes ingleses. Aderi ao sabão de coco, honestamente subdesenvolvido, com cheiro de praia do Nordeste e eficácia múltipla, na cozinha ou no toucador.
Contam os jornalistas: "Quando nos encontramos em seu consultório, o ginecologista pediu à sua secretária que saísse da sala. Sentou-se ao lado de Litchfield, o que melhorou a gravação, pois o microfone estava dentro da sua maleta. O médico mostrou uma carta:

- "Este é um aviso do Ministério da Saúde", disse, com cara de enfado. "As autoridades obrigam a incineração dos fetos... não devemos vendê-los para nada... nem mesmo para a pesquisa cientifica... Este é o problema..."

- "Mas eu sei que o senhor vende fetos para uma fábrica de cosméticos e... e estou interessado em fazer uma oferta... também quero comprá-los para a minha indústria..."

- "Eu quero colaborar com o senhor, mas há problemas... Temos de observar a lei... As pessoas que moram nas vizinhanças estão se queixando do cheiro de carne humana queimada que sai do nosso incinerador. Dizem que cheira como um campo de extermínio nazista durante a guerra."

E continuou: "Oficialmente, não sei o que se passa com os fetos. Eles são preparados para serem incinerados e depois desaparecem. Não sei o que acontece com eles. Desaparecem. É tudo."

- "Por quanto o senhor está vendendo?"

- "Bem, tenho bebês muito grandes. É uma pena jogá-los no incinerador. Há uso melhor para eles. Fazemos muitos abortos tardios, somos especialistas nisso. Faço abortos que outros médicos não fazem. Fetos de sete meses. A lei estipula que o aborto pode ser feito quando o feto tem até 28 semanas. É o limite legal. Se a mãe está pronta para correr o risco, eu estou pronto para fazer a curetagem. Muitos dos bebês que tiro já estão totalmente formados e vivem um pouco antes de serem mortos.
Houve uma manhã em que havia quatro deles, um ao lado do outro, chorando como desesperados. Era uma pena jogá-los no incinerador porque tinham muita gordura que poderia ser comercializada. Se tivessem sido colocadas numa incubadeira poderiam sobreviver mas isso aqui não é berçário.

Não sou uma pessoa cruel, mas realista. Sou pago para livrar uma mulher de um bebê indesejado e não estaria desempenhando meu oficio se deixasse um bebê viver. E eles vivem, apesar disso, meia hora depois da curetagem. Tenho tido problemas com as enfermeiras, algumas desmaiam nos primeiros dias. "

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1104200842.htm

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Justiça chilena proíbe pílula do dia seguinte

Satisfação de 29 organizações cristãs e de defesa da vida

Por Nieves San Martín

SANTIAGO DO CHILE, segunda-feira, 7 de abril de 2008 (ZENIT.org).- O Tribunal Constitucional do Chile fez público e oficial o acordo segundo o qual se redigirá a sentença sobre o requerimento de inconstitucionalidade apresentado por deputados da República contra o Decreto Supremo que aprovou as Normas Nacionais de Regulação da Fertilidade.

Após uma longa batalha judicial, o Tribunal Constitucional resolveu proibir a distribuição da «pílula do dia seguinte» no serviço público de saúde, acolhendo assim parte de um recurso legal apresentado por 36 deputados. Ainda que a sentença esteja sendo redigida e se dará a conhecer em meados de abril, seu conteúdo principal foi difundido à imprensa. Na tarde de 4 de abril, o organismo emitiu uma declaração oficial.

No início de 2007, 36 deputados apresentaram um requerimento contra um decreto do Ministério de Saúde que aprova as Normas Nacionais Sobre Regulação da Fertilidade e que contempla – entre outras medidas – a distribuição da pílula do dia seguinte a adolescentes maiores de 14 anos sem o consentimento de seus pais.

Em sua declaração, o máximo organismo judicial indica que, «perante as múltiplas versões acerca do decidido por este Tribunal Constitucional sobre o requerimento apresentado por 36 deputados contra o Decreto Supremo nº 48/2007 do Ministério de Saúde, que aprova as Normas Nacionais sobre Regulação da Fertilidade, e com o objeto de informar adequadamente a opinião pública, decidiu-se, nesta oportunidade e de modo unânime, dar a conhecer o acordo que se adotou, ainda quando a respectiva sentença se encontra em fase de redação».

O organismo assinala que resolveu «acolher o requerimento unicamente enquanto se declara a inconstitucionalidade do ponto 3.3 da Seção C das mesmas normas referidas, que ordena ao sistema público de saúde aconselhar e distribuir os métodos de ‘Anticoncepção Hormonal de Emergência’».

Um grupo de 29 organizações cristãs e de defesa da vida manifestou sua satisfação por esta decisão.

«Valorizamos – dizem estas organizações em um comunicado que enviaram à Zenit – a decisão do Tribunal Constitucional: ela reafirma o Estado de Direito, ao reconhecer que em nosso ordenamento jurídico se protege a vida daquele que está por nascer desde sua concepção, e que tal âmbito de proteção legal e constitucional, contida também nos tratados internacionais ratificados pelo Chile e ainda vigentes, não requer a certeza de um possível dano que possa afetar a existência do não-nascido, mas que basta que se configure uma provável ameaça para que o direito o proteja.»

Este raciocínio, prossegue a nota das organizações, «é plenamente coerente com a proteção internacional dos direitos humanos, aqueles que emanam da natureza humana e que nossa Constituição recolhe e ampara: sempre se deve velar pela proteção do direito fundamental que possa estar sendo afetado, já que em matéria de direitos humanos rege o princípio ‘pro-homine’: toda norma deve ser interpretada em favor da pessoa humana».

«O direito à vida – continua dizendo o comunicado – é o primeiro e mais fundamental de todos os direitos, e este não pode ser subordinado nem ser posto em risco sob pretexto de uma má entendida equidade, nem menos diante de opções pessoais de terceiros: sustentar que a proteção da vida humana inocente frente a tudo aquilo que a ameace constitui um atentado à igualdade é um absurdo: a igualdade para fazer ou ocasionar o mal não é um direito para ninguém. Desta forma, a diversidade de opiniões ou opções pessoais na matéria não justifica o uso de meios que podem causar dano a outro, ainda mais se este dano pode ser irreparável e a vítima – sempre inocente – não tem possibilidade de defesa.»

Com isso, o Chile se une aos países que declararam o efeito abortivo da pílula do dia seguinte. «Assim – concluem estas organizações –, nós nos alegramos com a decisão adotada pelo TC, respaldamos e felicitamos os deputados e advogados que apresentaram o requerimento e convidamos toda a sociedade civil a tomar parte ativa na proteção e promoção da vida, especialmente a de quem está por nascer.»

Data Publicação: 09/04/2008

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Células-tronco embrionárias: porta aberta para a aprovação do aborto

Geremias do Couto

Poucos em nosso arraial conseguem vislumbrar que, por trás da liberação das pesquisas com células-tronco, as portas ficarão escancaradas para a aprovação do aborto. Caso o Supremo Tribunal Federal decida favoravelmente, quando voltar a se reunir para deliberar sobre a inconstitucionalidade da lei de biossegurança, não haverá mais nenhum empecilho constitucional para impedir que o aborto se torne uma prática de pleno direito em nosso país. Tudo já está orquestrado.

Como a Constituição assegura o direito à vida, a possibilidade do apoio ao aborto legal fica implícito no argumento que o ministro Carlos Ayres Brito, relator do processo, empregou para defini-la. Ele pressupôs que a Constituição não é precisa sobre a vida na fase embrionária e arrematou: "Vida humana, com personalidade jurídica, é fenômeno que ocorre entre o nascimento e a morte". A prevalecer a sua tese, encerra-se toda a discussão sobre quando a vida começa e fica firmada a jurisprudência: vida, só com personalidade jurídica, ou seja, apenas após a criança nascida, mesmo que esta já esteja plenamente formada no ventre materno. É ou não é a porta escancarada para a aprovação do aborto?

Por outro lado, para abrir caminho à liberação das pesquisas com células-tronco, apela-se para o emocional, reunindo-se deficientes físicos na porta do STF, como se já houvesse certeza de que elas resolverão as anomalias congênitas ou qualquer outra que apareça durante a vida. Alimentam-se também sofismas como se fossem verdades incontestáveis para provar que qualquer um que se levante contra a liberação das pesquisas com células-tronco está impedindo o progresso da ciência ou se escudando em argumentos religiosos para impedir que doentes sejam tratados com as supostas descobertas que as pesquisas trarão para a humanidade. Somos retrógados. Intolerantes. Fanáticos.

É o que se depreende da entrevista que a bióloga Mayana Zatz concedeu semana passada à revista Veja, com a intenção de defender as pesquisas com células-tronco embrionárias. Ela simplesmente lançou mão de argumentos que, à primeira vista, parecem irrefutáveis, mas não resistem a uma simples análise lógica, para ficar apenas por aí.

Diz ela, entre outras coisas, que "os cientistas brasileiros só querem fazer pesquisa com os embriões congelados que permanecem nas clínicas de fertilização", os quais ficarão ali até ser descartados, pois "não existe nenhuma possibilidade de vida para eles". Absurda inverdade, que, de tanto ser repetida, acaba sendo aceita como fato. Ora, há diversos casos de embriões congelados que, depois, foram implantados em algum útero "generoso" e se tornaram bebês perfeitamente saudáveis. Se não há possibilidade de vida, como afirmou a bióloga, como então se explica isso?

O que dizer de Vinícius, um pequeno brasileiro sadio que permaneceu congelado por oito anos até ser implantado no útero da mãe? E de Laina Beasley, nos EUA, que passou 13 anos como embrião "descartável" e hoje alegra a sua família? Há, inclusive, uma entidade nos Estados Unidos (http://www.embryoadoption.org/) cuja especialidade é atuar na "doação" e "adoção" de embriões congelados que têm, sim, chances de nascer em perfeitas condições de saúde. Não, não é verdade, doutora Mayana, que os embriões congelados não têm nenhuma possibilidade de vida. A senhora cometeu um grave erro de informação!

A doutora Mayana Zatz repete também o surrado argumento de que não há "consenso sobre quando começa a vida", numa referência aparentemente correta, pois os especialistas divergem entre si quanto a esse ponto. Para ficar apenas com duas diferentes opiniões, ela, por exemplo, pressupõe que a vida começaria quando o sistema nervoso já estivesse formado, enquanto outros concordam que esse começo ocorreria apenas a partir do momento em que o córtex cerebral estivesse em condições de cumprir o seu papel. Mas a verdade é que se o mundo existir daqui a um milhão de anos eles não terão chegado a nenhum acordo pela simples e única razão de que a vida uterina até o nascimento é um processo que se inicia, para dizer o óbvio, quando o óvulo é fecundado e só se completa quando o feto está pronto para nascer.

A partir do momento em que os 23 cromossomos masculinos se juntam aos 23 femininos aí se dá o start. Essas "divergências" são apenas sofismas para tentar encobrir um fato: a vida se inicia na concepção, da mesma forma como um processo começa exatamente quando ele começa. Não começa nem no meio, nem no fim. Ou faria sentido afirmar que a partida de futebol só tem início no momento do gol? Será que perdemos o senso de lógica? Pois é o que eles nos querem empurrar goela abaixo quando dizem que não há consenso sobre quando a vida começa. Querem com isso pressupor que o jogo jogado antes do gol não é jogo, embora o juiz tenha apitado o início da partida e as regras digam que o jogo tem início nesse momento.

Outra pressuposição equivocada da bióloga é quando ela diz que não se podem confundir células-tronco embrionárias com aborto, que, praticado, ocorre quando "há uma vida dentro de uma mulher", diferente do que acontece com aquelas, que são retiradas de embriões gerados pela fertilização in vitro através da reprodução assistida. Segundo essa lógica, se não houve fertilização natural, não haveria nenhum problema ético no emprego dos embriões gerados artificialmente. A presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Ellen Gracie, em entrevista concedida à mesma revista esta semana, segue o mesmo raciocínio, tendo inclusive declarado o seu voto favorável às pesquisas, quando a sessão foi suspensa semana passada com o pedido de vistas do ministro Carlos Alberto Direito. Segundo ela, "o nascituro, a criança que aguarda o nascimento no ventre da mãe, tem algumas expectativas de direito" e cita a herança como exemplo, para, logo a seguir, acrescentar: "Ora, o embrião criado in vitro não é nascituro, pois não foi implantado no útero da mãe, nem pessoa, no sentido técnico". Entenda-se pessoa, no sentido técnico, a criança já nascida, com personalidade jurídica, como vimos acima.

O sofisma aí é que só teriam então algum direito - não todos - os embriões gerados no útero, na condição de nascituros. Mas que diferença têm esses embriões daqueles que são gerados in vitro? Para começar, eles são iguais em tudo, pois vêm da mesma matéria prima: a junção do espermatozóide com o óvulo. Eles cumprem, também, no útero, as mesmas etapas que cumprem os embriões gerados artificialmente. Com a fecundação, transformam-se em zigotos para logo depois virarem blastocistos, circunstância em que os embriões são já reconhecíveis num prazo máximo de 10 dias! Ou seja, nenhuma diferença! A única distinção é que aqueles se desenvolvem naturalmente e estes artificialmente em razão de o especialista repetir in vitro os mesmos processos que ocorrem na procriação natural. Só por isso os embriões gerados no útero - por terem algum direito, segundo a perspectiva da ministra - seriam cidadãos de primeira classe, com alguma perspectiva de proteção, enquanto os artificiais - pobrezinhos! - estariam fadados ao lixo, como estão, caso ninguém se compadeça deles para adotá-los! Ou seja, fora do útero podem ser dilacerados, rasgados, dissecados para pesquisa, dentro do útero não! Mas será verdade isso? Veremos.

Concluo - por já ter-me alongado bastante para um blog - desmascarando a falácia de que as pesquisas com células-tronco embrionárias garantem a descoberta de tratamentos para muitas doenças hoje incuráveis. Não há até agora nenhuma publicação científica que diga ter encontrado o rastro que leva ao ouro! A própria doutora Mayana admite em sua entrevista que não há, ainda, como controlar essas células. Veja o que ela diz ipsis literis: "eu injeto células-tronco para regenerar o músculo de alguém, mas essas células resolvem que vão virar osso. Se isso acontecer, não tenho mais como controlar o processo". Esse é o fato. O resto é hipótese. Mas concedendo à ciência o direito que ela tem de avançar em suas pesquisas, não é por falta de células-tronco que os cientistas ficarão a ver navios, caso o Supremo Tribunal Federal acate a inconstitucionalidade da lei que permite o uso de células-tronco embrionárias, tese, infelizmente, pouco provável. As células-tronco adultas estão disponíveis e cumprem o mesmo papel como material de pesquisa, caso o propósito seja exatamente esse.

Mas não é por aí que a história caminha. A liberação das pesquisas com células-tronco embrionárias é apenas uma porta de passagem para a aprovação do aborto, pois o nascituro (já vimos há pouco), dispõe apenas de "algumas expectativas de direito" - não todas - e uma pessoa só é considerada vida humana, como interpretou o ministro Carlos Ayres Brito, após o nascimento. Em outras palavras, embriões artificiais e embriões naturais estão na mesma condição: os primeiros poderão ser dissecados em pesquisas, os segundos poderão não muito depois ser legalmente abortados.

Que triste fim!

Fonte: Blog Geremias do Couto

Divulgação: www.juliosevero.com

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Não permitam que "dourem a pílula"

A panacéia envolvendo o uso de células-tronco embrionárias para pesquisas e terapia no Brasil começou há quase três anos, no dia 24 de março de 2005, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sem dar tempo nem chance à população brasileira como um todo, nem mesmo a cientistas, religiosos e advogados, entre outros, de debater amplamente o tema como a causa exige, sancionou a Lei da Biossegurança. Essa lei não é específica para células-tronco; regula, também, a produção e comercialização de organismos geneticamente modificados, os transgênicos. Ou seja, quem deliberou sobre a soja transgênica, também atuou na liberação das pesquisas com células-tronco. A partir daí, o uso de células-tronco embrionárias se tornou o remédio de todos os males no país, a despeito de serem as pesquisas com células adultas as que apresentam resultados mais promissores no mundo.

Por sorte momentânea dos brasileiros, no meu entender, o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) do artigo 5º da Lei de Biossegurança. Ao ler isso, você pode estar se perguntando, por que uma pesquisadora de células-tronco tem esse posicionamento? Porque não é verdade que o estudo de células-tronco vai favorecer o povo brasileiro. Eu pergunto:

1.Você acredita ser verdade que para o Brasil não ficar atrasado, retroagir, precisa copiar ações que não deram certo, como os estudos com células-tronco embrionárias realizadas nos EUA há 15 anos, com muita verba, mas mesmo assim até hoje milhares de pessoas continuam paraplégicas?

2.Você sabia que para cultivar essas células do embrião humano, com 100 células, são necessárias camadas alimentadoras de outros fetos? E que essas células de seu embrião congelado, em um mês vão atingir milhões de células, com o DNA de sua família, podendo se transformar em linhagens que poderão ser patenteadas?

3.Você sabia que é mentira que o embrião humano congelado é inviável após 3 anos? Se fosse, não seria congelado.

4. Você sabia que a célula do câncer é uma célula adulta que resolve voltar a ser embrião? Portanto desde 2006 existem técnicas para os pesquisadores estudarem os mecanismos para a chegarem à cura das doenças por meio de células-tronco-adultas? (Yamanaka,S - 2006 e 2007)

5.Você sabia que ao tirar o embrião do corpo feminino ocorre uma queda abrupta hormonal, afetando a secreção dos neurotransmissores e, como resultado, a depressão entre outros efeitos colaterais?

6.Você sabia que um dos maiores comércios do U.S.A. é o ABORTO?

7.Você acha certo o que está escrito no texto abaixo?

"Quem coloca a mão na massa sabe quais são as limitações (da pesquisa). Às vezes, você realmente tem de vender o peixe quando precisa de financiamento. Não adianta você dizer: "Olha, vou ficar 20 anos seqüenciando para talvez chegar a um resultado. A gente tenta dourar um pouquinho a pílula".( Jornal Folha de S.Paulo, 01 de abril de 2007)

Homens e mulheres brasileiras: não permitam que "dourem a pílula" através de seu embrião!!!!

*Profª Drª Lilian Piñero Eça, é presidente do Instituto de Pesquisas de Células-Tronco e integrante do Movimento Nacional em Defesa da Vida - Brasil sem Aborto.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Escolher a vida por inteiro

Dra. Alice Teixeira Ferreira
Prof. Hermes Rodrigues Nery

Rubem Alves, em artigo publicado neste espaço da Folha de São Paulo (01/04) defendeu um conceito reducionista, relativista e retórico de justiça, que merece uma reflexão mais aprofundada. Primeiramente indica uma "encruzilhada entre o certo e o errado, entre o lado da vida e o da morte", que "só acontece nos textos da lógica". Ora, diante de um impasse da história, o filósofo grego Sócrates optou pela cicuta pois o que estava em jogo na decisão era a sua própria vida e a dignidade da vida humana como valor a justificar o sacrifício e a renúncia. Foi isso que fez Salomão optar por aquela que realmente se importou pela vida, pois as decisões fundamentais, nesse sentido, irrompem do coração humano e da razão, para afirmar o amor incondicional pelo bem de quem se ama, para além das sutilezas da lógica.

As "encruzilhadas entre o certo e o errado" acontecem na realidade concreta do dia-a-dia, nas contingências do cotidiano, na vida vivida por cada um de nós, das quais ninguém consegue escapar de situações (cujas decisões-respostas não podem ser relativizadas) em que é preciso dizer sim ou não, sem meio termo.

De fato, as circunstâncias da vida nos colocam diante de dolorosos impasses. E o imperativo da consciência nos leva a discernir e a aceitar, muitas vezes, o heroísmo que transcende o comodismo, para além do hedonismo e do individualismo, tornando o livre-arbítrio capaz do dom de si para o bem do outro.

Realmente, "a ética católica é a ética dos absolutos", daí porque "todos os abortos são assassinatos", como o é também a morte dos embriões humanos, negando ao novo ser humano os direito à vida, como se quer hoje no Supremo Tribunal Federal. Como bem expressou Giogio Filibeck, "a dignidade do ser humano ou é integral ou não é". Se somos pela vida, a opção fundamental é pela vida por inteiro, e não com cortes arbitrários a satisfazer a lógica do pragmatismo utilitário.

Nesse sentido, a ética católica em muito ajudaria Sofia em seu impasse, retratado pelo filme de Alan J. Pakula. Forçada a ter de entregar um de seus filhos para morrer no campo de concentração, Sofia (interpretada por Meryl Streep) não chegou a propor ao oficial nazista a sua própria vida em troca da salvação das crianças. Faltou-lhe naquele momento a radicalidade do heroísmo, como hoje acontece o mesmo quando crianças são atiradas pela janela, jogadas recém-nascidas nas latas de lixo, ou os nascituros torturados até a morte pelas máquinas de sucção no ventre de suas mães, sem "padecer de dores morais ou de incômodos de consciência", no dizer do Ministro Carlos Ayres Britto ao negar ao nascituro o direito à vida.

O fato é que a transgressão moral tem efeito cascata. Hoje o nascituro não é reconhecido como pessoa humana, amanhã é o idoso ou o inválido, ou o deficiente, ou ainda os que têm criatividade e pensamento crítico sobre determinadas ideologias do sistema social. "Um erro puxa outro erro", nos advertiu Macbeth. A escolha de Sofia evidenciou a dificuldade (ou até a impossibilidade) de acertar na escolha, quando se adere à transgressão moral. Hitler invadiu a Polônia e mandou para o campo de concentração e trabalhos forçados os que não aceitaram transgredir. É evidente que - do ponto de vista moral - podemos resistir e não compactuar com o mal. O pai de Sofia e toda a sua família foram covardes, porque se aliaram aos nazistas. Daí começa a tragédia de Sofia. Ao ceder sua filha, ela sacrificou o que ainda lhe restava de humanidade. Se fosse firme e não cedesse (ou seja, se amasse igualmente ambos os filhos) e não se acovardasse em aceitar a posição nazista, talvez o oficial visse nela a dignidade da pessoa humana e a história poderia ser diferente. Cabe lembrar outro filme, "Uma mulher contra Hitler", dirigido por Marc Rothemund, em que temos também uma personagem chamada Sofia (interpretada por Júlia Jentsch) vivida sob o impasse de fazer sua escolha em meio ao horror do regime nazista. Pertencente ao grupo Rosa Branca, de resistência ao führer, Sofia Scholl mantém-se firme em sua decisão pela honra e pela dignidade da vida, sendo presa e decapitada pela Gestapo, juntamente com seu irmão Hans Scholl.

A experiência de Vitor Frank, por exemplo, no campo de concentração nos faz entender porque os nazistas perdiam respeito pelos judeus presos, pois a maioria se despia de sua humanidade. O que a história comprova é isso: diante da degradação moral, o que prevalece é a lógica do vale tudo pela sobrevivência, quando sacrifício e renúncia não conta mais pelo bem do outro, muitas vezes um bem maior.

Somos hoje também desafiados a fazer a nossa "escolha de Sofia", em meio às novas ideologias totalitárias que querem espoliar a nossa alma, destituir a nossa dignidade enquanto pessoa, privar a nossa vida do valor e do sentido humano, oprimir, perverter e manipular as nossas consciências, para que aceitemos falsas ilusões. A nossa resistência, portanto, começa, sim, pela defesa dos mais indefesos, como dos embriões humanos e dos nascituros, pois queremos a vida para todos e por inteiro.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Falsas crenças sobre o aborto e a mortalidade materna

Population Research Institute - http://www.lapop.org/content/view/46/23/

A legalização do aborto não reduz as taxas de mortalidade materna:

Talvez uma das razões que possa explicar este fracasso na política global para a redução da mortalidade materna radica em que grande parte dos recursos se dirigiram para agências de planificação familiar que promovem os “serviços de saúde sexual e reprodutiva”, nos quais o aborto joga um papel central, em lugar de ser destinados a melhorar o sistema de saúde (investimento na melhora de hospitais, equipamentos, cuidados de emergência e remédios) e outros aspectos como acesso à água potável, ao saneamento e à melhora da alimentação.

Há países onde o aborto é ilegal ou muito restringido, e onde se supõem altos índices de abortos clandestinos, que têm menores taxas de mortalidade materna que outros onde esta prática é amplamente permitida e onde é realizada em condições “seguras”.

Mais de 50% das mortes maternas no mundo acontecem nos países que têm as leis menos restritivas. Na Índia, por exemplo, onde existe uma legislação que permite o aborto em quase todos os casos desde 1972, é onde mais mortes maternas ocorrem.

Cada ano, registram-se ao redor de 136.000 casos, equivalentes aos 25% do total mundial, que para o ano 2000 se calculou em 529.000.
(Figura 1)

1 de cada 4 mortes maternas no mundo acontece na Índia, onde o aborto é amplamente legal.

Nos países desenvolvidos também se pode ver que não há uma correlação entre a legalidade do aborto e os índices de mortalidade materna (Figura 2). a Rússia, com uma das legislações mais amplas, tem uma taxa de mortalidade materna alta (67 por 100.000 nascidos vivos), 6 vezes superior à média.

Em contraste, Irlanda, onde o aborto é ilegal virtualmente em todos os casos, possui uma das taxas de mortalidade materna mais baixas do mundo (5 por 100.000 nascidos vivos), três vezes inferior a do seu vizinho o Reino Unido (13 por 100.000 NV) e a dos Estados Unidos (17 por 100.000 NV), países onde o aborto é amplamente permitido e os padrões de saúde são altos.

Na América Latina, Chile, que possui uma das legislações mais restritivas do mundo respeito ao aborto, tem a segunda taxa de mortalidade materna mais baixa (31 por 100.000 NV), depois do Uruguai (27 por 100.000 NV), menor inclusive que as de Cuba (33 por 100.000 NV) e Gôiana (170 por 100.000 NV) que são os únicos países da região onde o aborto é permitido sem restrições. As maiores taxas de mortalidade materna da América do Sul são as da Bolívia (420 por 100.000 NV) e Peru (410 por 100.000 NV), cujas legislações permitem o aborto em alguns casos.

Como pode ver-se (figura 3), a legalidade ou ilegalidade do aborto não afeta as taxas de mortalidade materna. O que sim resulta determinante, pelo contrário, é o número de partos atendidos por pessoal qualificado. No Haiti, por exemplo, que tem a taxa de mortalidade materna mais elevada da região (680 por 100.000 NV), o 76% dos partos não recebem atenção qualificada, na Bolívia este número chega a 65% e no Peru, a 59%.

Em contraste, nos países onde a maioria dos partos recebem atenção qualificada, as taxas de mortalidade materna são notavelmente mais baixas (ver figura 4).

Estes dados sugerem, de maneira concludente, que para diminuir a mortalidade materna não se deve recorrer à legalidade do aborto mas sim a aumentar o número de partos atendidos por pessoal idôneo e qualificado.

De outro lado, se formos analisar atentamente a evolução da mortalidade materna em países que tiveram mudanças recentes em sua legislação respeito do aborto, encontra-se que, contrário ao que geralmente se argumenta, não existe uma tendência generalizada a reduzir notoriamente as taxas de mortalidade materna naqueles países que liberalizam esta prática, nem tampouco aumentam onde a legislação virou mais restritiva, como é o caso da Polônia, El Salvador e Chile, onde, de fato, as taxas de mortalidade materna continuaram descendo e inclusive se reduziram na metade depois de introduzir reformas para penalizar ou restringir o aborto.

O caso da Polônia é paradigmático, depois de décadas de permitir o aborto a livre demanda como uma nação Soviética, em 1993 o novo governo decidiu penalizá-lo (salvo em casos de violação, problemas com o feto ou risco para a saúde da mãe). Após, não só o número de abortos legais se reduziu em 99.8%, de 59.417 em 1990 a 138 em 2000, mas também a mortalidade materna, que experimentou uma descida de 73.3%, passando de 15 por 100.000 NV em 1990 a 4 por 100.000 NV em 2000.

Uma análise séria das estatísticas demonstra que o fator crucial para a redução das taxas de mortalidade materna não é a legalização do aborto mas o melhoramento do sistema geral de saúde.

A legalização do aborto não reduz sua incidência

Contrário ao que usualmente se diz, a legalização do aborto não conduz necessariamente a uma diminuição nas taxas de incidência. Stanley Henshaw, um reconhecido investigador do Alan Guttmacher Institute admitiu que “em muitos países é comum que depois da legalização as taxas de aborto tenham um aumento sustentado por alguns anos para logo se estabilizar” (AGI, press release, 6/16/94)

Em 1973 a Corte Suprema dos Estados Unidos legalizou o aborto em todo o país. Anteriormente só era permitido em alguns estados. Dez anos depois a cifra de abortos havia
crecido em 112%. Em 1990 era 2.3 vezes maior, alcançando um pico de 1.5 milhões de abortos anuais. Depois o número de abortos foi descendo, mas ainda se mantém alto. É importante anotar que:

Entre 1973 e 2000 se realizaram quase 33 milhões de abortos legais nos EUA

Na Espanha, um relatório recente do Instituto de Política Familiar assinala que o aborto é a primeira causa de mortalidade em dito país, por cima do câncer e dos acidentes. Em 2002 se produziram cerca de 80.000 abortos, 10% mais que no ano anterior. Em 97% dos casos a causa aduzida foi a “saúde materna” que engloba tanto a causas físicas como psíquicas.

Na Espanha 1 de cada 6 gravidezes termina em aborto. 20 anos depois da legalização, o número de abortos se incrementou em 400%.

Nos últimos 10 anos, a percentagem de abortos em menores de 18 anos se duplicou.

Outro país que não fica atrás é o Reino Unido. Só na Inglaterra e Gales se realizaram 185.415 abortos induzidos em 2004, 2.1% mais que no ano anterior.

Desde sua legalização, no Reino Unido o número de abortos se incrementou em 272%. Na última década este aumento foi de 17%.

Conclusões

A evidência é contundente em demonstrar que a legalização do aborto:

• Não reduz as taxas de mortalidade materna
• Não contribui à saúde da mulher
• Não diminui sua incidência

É um atentado contra as mulheres enganá-las fazendo-as acreditar que aborto legal significa aborto “seguro”. Portanto, a legalização do aborto, vem tornar-se uma forma de discriminação para a mulher, que é a primeira prejudicada, pelas seqüelas que isso reporta.

Setembro, 2005.

(*)
O Observatório Regional para a Mulher da América Latina e o Caribe, é uma rede de mais de 150 ONG’s do âmbito internacional cujo objetivo é observar e promover ações a favor dos direitos e a dignidade da mulher, a família e a sociedade na América Latina e o Caribe.

domingo, 6 de abril de 2008

Aprovação ao aborto continua a diminuir

O Data Folha acaba de revelar uma nova pesquisa de opinião pública (06/04/2009) que confirma que a aprovação ao aborto no Brasil está diminuindo de ano para ano. Desta vez a reportagem foi publicada em destaque na primeira página da edição de domingo.
A pergunta dos pesquisadores, feita a uma amostra de 4.044 brasileiros em 159 municípios, foi se o entrevistado pensa que o aborto deve continuar sendo crime no país.
Em 2006 63% dos brasileiros responderam sim, em 2007 o percentuial subiu para 65% e agora em 2008 o número dos que responderam afirmativamente subiu novamente para 68%. Sete em cada dez brasileiros, segundo o Data Folha, querem que o aborto continue sendo crime e, aparentemente, este número continua em crescimento.

Quando a pergunta é feita com outras palavras, a porcentagem obtida é ainda mais elevada.
Em 2003 o IBOPE realizou uma pesquisa nacional de opinião pública a pedido das Católicas pelo Direito de Decidir, onde a pergunta era se na opinião dos entrevistados o aborto deveria ser permitido sempre que a mulher decidisse. Somente 10% foram a favor.

A pesquisa foi repetida em 2005 pelo mesmo IBOPE encontrando desta vez apenas um público de 3% do público respondendo afirmativamente. Em 2007 uma nova pesquisa nacional sobre o aborto foi encomendada ao IBOPE pelas Católicas pelo Direito de Decidir, mas desta vez a íntegra da pesquisa não chegou a ser divulgada. As Católicas alegaram que não havia interesse em saber o que pensava o público sobre o aborto em si e que a pesquisa havia se centrado na questão se o público sabia localizar os hospitais credenciados para praticar um aborto em caso de estupro.

Uma cópia das pesquisas do IBOPE em 2003 e 2005 pode ser encontrada nos seguintes endereços:
http://www.pesquisa sedocumentos. com.br/PesquisaI bope2003. pdf

http://www.pesquisa sedocumentos. com.br/PesquisaI bope2005. pdf

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68% DEFENDEM QUE ABORTO CONTINUE CRIME NO BRASIL
http://www1. folha.uol. com.br/fsp/ cotidian/ ff0604200804. htm
Segundo Datafolha, maior percentual favorável à lei está entre quem tem 60 anos ou mais: 73%
Pesquisa revela que taxa dos que querem que o aborto continue sendo crime está em ascensão: era de 63% em 2006, ante 65% em 2007
DA REPORTAGEM LOCAL - 06/04/2008

Sete em cada dez brasileiros, praticamente, defendem que a lei de aborto continue como está. Segundo pesquisa Datafolha, 68% dos brasileiros querem que a lei não sofra qualquer mudança. Aborto é considerado crime pelo Código Penal, punido com pena de prisão de um a quatro anos para a mulher que consentiu a prática.
A taxa dos que querem que o aborto continue sendo tratado como crime está em ascensão. Em 2006, os que defendiam a lei somavam 63%; em 2007, eram 65%. A taxa dos que não querem flexibilizar a lei cresceu 14 pontos percentuais entre 1993 e 2008. Naquele ano, 54% defendiam a punição criminal ao aborto.
Quanto mais elevada a escolaridade, maior é o apoio a mudanças na lei. Entre os que concluíram curso superior, 30% defendem que o aborto seja permitido em mais situações do que é hoje: quando a mulher corre risco de morte, quando há má-formação no feto e quando a gravidez é resultado de crime.
Entre os que só cursaram o ensino fundamental, a taxa dos que são contrários a mudanças é a terceira mais alta: 71%. A segunda taxa mais elevada dos que defendem a manutenção da lei está na região Sul do país (72%). O percentual mais alto é encontrado entre os que têm 60 anos ou mais: 73%.
O grau de urbanização parece influenciar os que defendem mudanças. Um quinto dos moradores das capitais dizem que gostariam de uma lei que permitisse o aborto em mais situações -seis pontos percentuais acima da média nacional. Já nas cidades do interior, 70% querem que a lei siga sem mudanças -dois pontos acima da média. Cariocas e paulistanos têm visões diferentes sobre essa questão. No Rio, o tema é tratado com mais liberalidade -53% defendem que a lei continue a mesma (15 pontos abaixo da média). Já em São Paulo, essa taxa é de 59%.

Campanha

O aumento da taxa dos que são contrários a flexibilizar a lei de aborto pode ter alguma relação com a campanha que a Igreja Católica move contra esse tipo de prática no Brasil.
A campanha mais contundente foi feita pela Arquidiocese do Rio de Janeiro. Lá, no último mês, padres levaram às missas reproduções de fetos.
Foram produzidos 600 bonecos imitando fetos com três meses de gestação. Eles foram usados em procissões e nas 264 igrejas da cidade. Os bonecos de fetos fazem parte da campanha da fraternidade de 2008 da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil), cujo lema é "Escolhe, pois é vida".
Em São Paulo, as manifestações da Igreja Católica tiveram um tom menos contundente: foi realizado um ato público contra o aborto na praça da Sé.
O alvo da CNBB é um projeto de lei que descriminaliza o aborto. Ele está parado há 16 anos na Câmara dos Deputados e havia a previsão de que poderia entrar na pauta neste mês.
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sexta-feira, 4 de abril de 2008

"Quem apostou na pesquisa com embriões não reconhece que perdeu a aposta"

Entrevista com a professora doutora Alice Teixeira

SÃO PAULO, domingo, 27 de janeiro de 2008 (ZENIT.org).- Quem apostou nas pesquisas com células-tronco embrionárias não reconhece que perdeu a aposta, pois, para além do fato desse tipo de pesquisa violar a dignidade do embrião humano, elas não dão resultados positivos, explica uma especialista.

A Dra. Alice Teixeira é professora associada da Universidade Federal de São Paulo/Escola Paulista de Medicina, formada em Medicina, em 1967, na Escola Paulista de Medicina, Doutora em Biologia Molecular, em 1971, Felowship na Research Division de Cleveland Clinic Foundation, EUA, 1971-72, e pertence ao Movimento Comunhão e Libertação,

Ela é palestrante no I Congresso Internacional em Defesa da Vida, que será realizado no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, de 6 a 10 de fevereiro. Zenit a entrevistou no contexto dos preparativos ao Congresso.

–Como a Sra. vê a realização de um encontro reunindo expressivos especialistas de bioética e lideranças pró-vida nacionais e internacionais, para a abertura da Campanha da Fraternidade, com o tema "Fraternidade e Defesa da Vida", e o lema: "Escolhe, pois, a Vida". Qual a importância desse encontro, nesse contexto, no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida?

–Dra. Alice Teixeira: Há necessidade de o nosso povo ser bem esclarecido sobre mais uma agressão que está sendo planejada há longa data tendo como vítimas nossos idosos e nossos nascituros, ou seja, a parte mais indefesa de nossa população. Acredito que este encontro tem esta finalidade: mostrar às bases, nas paróquias de todo Brasil, a necessidade de defendermos a VIDA desde a concepção até a morte natural do ser humano.

–A Sra. irá falar sobre "a dignidade do embrião humano". Poderia nos dizer o que irá destacar em sua exposição?

–Dra. Alice Teixeira: Em 1991 Jerôme Lejeune, o médico francês que descobriu a causa genética da síndrome de Down (antes chamada de mongolismo), disse numa entrevista à Revista VEJA: “Não quero repetir o ÓBVIO. Mas, na verdade, a vida humana
começa na fecundação. Quando os 23 cromossomos masculinos transportados pelo espermatozóide se encontram com os 23 cromossomos da mulher, TODOS os dados genéticos que definem o novo ser humano já estão presentes. A fecundação é o marco do início da vida. Daí para frente qualquer método para destruí-la é um assassinato”. De modo que na minha preleção ireis destacar que: 1) desde 1827, graças às pesquisas de Ernst van Baer, com auxílio de um microscópio mais sensível, se sabe que a vida humana se inicia na concepção; 2) que não é um dogma religioso, que o Papa Pio IX aceitou este fato científico em 1869 e juntamente com os médicos ingleses, na mesma data, decretou que a Igreja Católica devia defender o ser o humano desde a sua concepção, pois é uma pessoa humana, e como tal a sua dignidade deve ser defendida pelos católicos de todo o mundo; 3) que até hoje os embriologistas vêm comprovando cientificamente este fato; 4) que os embriões humanos devem ter sua dignidade respeitada em todas as fases de seu desenvolvimento e mesmos os congelados, que não devem ser objetos de pesquisa ou serem destruídos para se fazer cultura de suas células; 5) mostrarei que muitos embriões congelados por vários anos deram crianças saudáveis, inclusive no Brasil; 6) que mesmo os bebês anencéfalos têm direito à vida e sua dignidade deve ser respeitada como todas as pessoas humanas; 7) que existem interesses econômicos de indústrias de biotecnologia em utilizar o nascituro como fonte de células para pesquisa.

–A Sra. participou no começo do ano passado de um importante debate no STF com o tema "o início da vida humana". Que avaliação a Sra. faz daquele debate, e que decisão a Sra. acha que o Supremo Tribunal Federal irá tomar diante dessa questão?

–Dra. Alice Teixeira: No debate no STF, nosso grupo mostrou exaustivamente que o início da vida humana se dava na concepção. Foi mostrado por médicos e biomédicos, em que a parte científica e a ética mostrou a necessidade do respeito à dignidade do embrião humano. Mostrei que para a Medicina Regenerativa não havia necessidade de se fazer experimentos com embrião humano, que as células-tronco adultas eram capazes de solucionar estas doenças. Fui profética quando afirmei que graças aos trabalhos do Dr. Yamanaka, da Universidade de Kioto, Japão, não havia mais necessidade de células embrionárias humanas para tais pesquisas, visto que este cientista estava conseguindo transformar células adultas da pele em células com características embrionárias. Este feito foi repetido por vários pesquisadores no ano passado a tal ponto que, James Thomson, o primeiro a conseguir cultura de células embrionárias humanas, disse que pesquisa com estas células não valia mais nada, pois não conseguira nenhum resultado positivo até hoje (existem 72 resultados positivos com células-tronco adultas) e que na História da Ciência as pesquisas com células embrionárias humanas seria uma nota de roda-pé. Thomson, inclusive é um dos pesquisadores que mudou sua linha para estas células adultas transformadas. Estes trabalhos publicados no fim de novembro de 2007 fizeram as ações de muitas indústrias de biotecnologia, que apostavam nas células embrionárias humanas, caírem. O grupo brasileiro que queria fazer pesquisas com estas células teve uma audiência com alguns juristas do STF e tentou convencê-los, bem como a mídia, que a pesquisa com embriões humanos é necessária. Não reconhece que perdeu a aposta.

–Por que o debate em torno do início da vida humana entrou na agenda de discussões no País? Quais os interesses ideológicos daqueles que insistem em questionar o início da vida humana com a concepção, que é o posicionamento não só da Igreja, mas da própria ciência?

–Dra. Alice Teixeira: Desde 1970 temos uma conspiração mundial contra a vida humana, que propõe a redução da taxa de natalidade no mundo e defende a eutanásia para redução dos custos da saúde com os idosos. Usam falsos argumentos que chamam de “direitos ao próprio corpo” e querem incluí-los aos Direitos Humanos, usando de tais artifícios querem impô-los em nosso país. É importante para os que insistem em utilizar as células do embrião humano em pesquisa que o início da vida humana seja uma questão de OPINIÃO, que não haja CONSENSO, que seja tratado como um DILEMA ÉTICO. Assim no STF falavam: “Eu acho que a vida humana se inicia aos 14 dias quando se inicia a formação do tubo neural... outros acham que é no sétimo dia quando o embrião se implanta no útero materno... São todos favoráveis ao aborto. Um deles usa células nervosas fetais humanas na sua pesquisa.

–Como estão os avanços com a pesquisa em células-tronco embrionárias? Quais as novidades a respeito?

–Dra. Alice Teixeira: Robert Lanza, da Advanced Cell Tecnology, está propondo um “contorno ético” fazendo a cultura de células embrionárias humanas a partir de células arrancadas do embrião humano na fase de mórula. Congelou os embriões dos quais tirou as células de modo que não sabe afirmar quais seriam as conseqüências. Presume que não afeta o desenvolvimento dos mesmos. Samuel Wood, da Stemagen Corp. afirma ter conseguido blastocistos humanos clonados para a clonagem terapêutica. Aguarda-se confirmação destes experimentos. Vê-se que se tratam de resultados provenientes de indústrias de biotecnologia que se encontram desesperadas com a queda de suas ações.

–Que políticas públicas a Sra. espera ver implementadas no sentido de realmente promover a família e a vida humana em nosso País?

–Dra. Alice Teixeira: Primeiro: educação do nosso povo. No caso da educação sexual e sexualidade, devemos ter cuidado para que não seja distorcida com pornografia e hedonismo. Segundo: esclarecimento e transparência das políticas de saúde, que visem benefícios para todos. Terceiro: investir na Medicina Preventiva. As doenças dos pobres continuam prevalecendo em nosso país: a tuberculose, a malária, a doença de Chagas, a úlcera de Bauru/ Calazar. Investe-se muito dinheiro na AIDS que é doença de rico e dá um bom retorno para as indústrias farmacêuticas. Quarto: combate à violência através de políticas públicas no combate às drogas. Acaba-se resumindo tudo em educação e informação.

–Na sua opinião, o que será preciso fazer para que a CF-2008 seja uma Campanha com resultados efetivos na defesa da vida humana?

–Dra. Alice Teixeira: Para ter sucesso nossa Igreja, párocos e movimentos, devem esclarecer, informar nosso povo e ensiná-los a cobrar de nossos parlamentares as medidas necessárias em defesa da família, de sua saúde, de sua educação, contra as drogas e contra a violência que dela advém.

–O que a Sra. poderia apontar como relevante a ser destacado na Declaração de Aparecida em Defesa da Vida, que será entregue à CNBB?

–Dra. Alice Teixeira: Repito as palavras do nosso Papa, que constam no cartaz do Congresso: “Só contribui para um mundo melhor, fazendo o bem agora e pessoalmente, com paixão e em todo lado onde for possível” É isto que nos todos temos de fazer.

(Por Hermes Rodrigues Nery)

Lorraine Allard, mãe


Lorraine Allard. Guardemos este nome. Não, ela não é uma adolescente talentosa que irá estourar nas paradas dentro de pouco tempo. Tampouco sua imagem estará estampada em revistas de fofoca. Ninguém correrá para as bancas de jornal para saber de suas últimas peripécias… Lorraine Allard. Guardemos este nome. Ela já não está mais entre nós. Lorraine faleceu em 18 de janeiro passado aos 33 anos de idade, vítima de câncer. Dois meses antes, no dia 18 de novembro, Lorraine deu à luz seu quarto filho, o primeiro homem, Liam, que chegou a este mundo após apenas 25 semanas de gestação. Lorraine soube que estava com câncer no fígado em estágio avançado às 16 semanas de gestação. Ela e seu marido Martyn ficaram devastados com a notícia. Quem não ficaria? Quem não olharia para os céus e perguntaria: “Por quê?” Os médicos de Lorraine a aconselharam a abortar e começar imediatamente a quimioterapia. Solução humana. Solução fria, calculada. Para Lorraine, solução errada.

“Se eu morrerei, meu bebê deve viver!” Estas foram as palavras de Lorraine. Lorraine quis esperar o máximo possível para que seu bebê tivesse mais chances ao sair de seu ventre. Lorraine recusou tratamento quimioterápico até dar a luz. Liam chegou até nós por parto natural devido a Lorraine entrar em trabalho de parto 1 semana antes da cesareana agendada. Logo após o nascimento de Liam, Lorraine iniciou o tratamento contra o câncer. Enquanto Liam ficou no hospital na incubadora, Lorraine ficou em casa, em tratamento. Devido a isto, ela pôde ver seu filho apenas 4 vezes após o parto. Cada encontro foi uma benção para Lorraine, para Liam, para Martyn, para suas filhas maiores, para todos nós.

Foi em um destes encontros que estas fotos foram tiradas. O sorriso de Lorraine diz tudo. Ela sabia que segurava em seus braços uma dádiva. Liam ainda não tem consciência da dádiva que ele teve no início de sua vida. Olhemos para o rosto de Lorraine… Onde está a dor? Onde o câncer? Onde o absurdo da morte? Onde está o vazio que tantos propagam?

“Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?” (1Cor 15:55)


Fonte: http://contra-o-aborto.blogspot.com/2008/01/lorraine-allard-me.html

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Pesquisa que mata

Vinícius prova que embrião congelado há oito anos tem vida

por Claudio Fonteles

[Artigo originalmente publicado no jornal Folha de S.Paulo na terça-feira (1º/4)]

A professora Lygia Pereira, em recente artigo, perguntando-se sobre o que considerou “uma nova polêmica surgiu no mundo todo: este embrião é uma vida ou não?”, foi rápida e enfática na resposta: “Ora é claro que ele é uma forma de vida humana, assim como um feto, um recém-nascido e um idoso também são”.

Pensei: bem a controvérsia está terminada, pelo menos entre nós dois, pois se o embrião, assim como o feto, o recém-nascido e o idoso, todos constituem-se forma de vida humana, vistos por certo nos estágios cronológicos de sua existência, o embrião é vida humana.

Mas eis que a professora Lygia prossegue e, após estabelecer que “a real questão é que formas de vida humana nós permitiremos perturbar?”, sustenta que “a vida mencionada na nossa Constituição já é legalmente violada em algumas situações” e elenca a morte cerebral e a permissão do aborto em caso de estupro ou de risco de vida para a gestante a perguntar, então: “E aquele embrião de cinco dias, produzido por fertilização in vitro e armazenado em um congelador, em que condições ele é uma forma de vida passível de se ser violada?”, para responder: “A Lei de Biossegurança, de 2005, permite o uso para pesquisa de embriões inviáveis — que não sejam capazes de se desenvolver em um recém-nascido, ou que estejam congelados há mais de três anos”.

Anotado o eufemismo “que formas de vida humana nós permitiremos perturbar” e poucos dias após o início do julgamento, eis que a imprensa escrita brasileira, em decisiva matéria sobre o assunto, documenta a existência do menino Vinicíus, de seis meses, embrião congelado por oito anos, destacada a frase de sua mãe, Maria Roseli, a dizer: “Imagine se eu tivesse doado o embrião para a pesquisa”.

É a comprovação clara do que a professora Alice Teixeira asseverou na audiência pública — no que não foi contestada até hoje — no sentido de que há no mundo, especificamente nos Estados Unidos, pessoas, embriões congelados por sete, nove e até 13 anos.

No Brasil, a professora Alice Teixeira apontou o caso de Alissa, embrião congelado por seis anos. Por certo, inúmeras são as pessoas, embriões congelados por vários anos.

Tais fatos, tão inequívocos, constatam que o prazo único de três anos, posto no artigo 5º da Lei de Biossegurança, após o que autorizada estava a pesquisa com embriões, é prazo aleatório, destituído de qualquer fundamento científico sério.

O princípio constitucional, que consagra como direito individual fundamental a inviolabilidade da vida humana, queda inexoravelmente comprometido a permitir-se permaneça a eliminação do embrião humano, para qualquer fim.

Inviolabilidade da vida humana significa destacar e colocar em patamar supremo a existência do ser humano. Como manter-se pesquisa cujo objeto é embriões humanos congelados se, quando descongelados e implantados no útero materno, vivem? Se há os que morrem, há os que vivem. Aí estão Alissa, Vinícius, e tantos mais.

O princípio da inviolabilidade da vida humana não se define por estatísticas. Demonstrado, e provado, como está, e por forma inequívoca, que o embrião congelado, por mais de três anos, vive, a norma jurídica, que autoriza sua eliminação para pesquisa, é flagrantemente inconstitucional.

Como, ainda, e diante de fatos tão claros e inequívocos, dizer-se que Alissa, Vinícius e tantos mais não são vidas humanas, não são brasileiros, porque foram embriões congelados e, segundo o pensamento do relator, ministro Carlos Britto, fecundados in vitro estariam condenados à solidão infinita, e vida neles não há?

Depois que propus a Ação Direta de Inconstitucionalidade, linhas várias de pesquisa abriram-se a indicar o valor do líquido amniótico, da placenta, do cordão umbilical, a presença das células-tronco adultas nas paredes de todos os vasos sanguíneos — aqui graças ao trabalho de equipe de pesquisadores da USP de Ribeirão Preto, segundo declaração à imprensa do professor Dimas Tadeu Covas — no tratamento das doenças degenerativas.

O professor Tompson, quem primeiro pesquisou com células tronco embrionárias, abandonou essa linha de pesquisa para concentrar-se, como o faz o professor Yamanaka e equipe, em outra vertente: a reprogramação genética das células adultas, conduzindo-as à pluripotência.

O leque de pesquisas está aberto. Por quê insistir naquela vertente, que já tem caminhada de dez anos, e cujo resultado é nenhum ou, a dizer com a realidade, cujo resultado é violar a vida humana?

Termino repetindo o alerta de Maria Roseli, mãe de Vinícius: “Imagine se eu tivesse doado o embrião para a pesquisa”.

Revista Consultor Jurídico, 2 de abril de 2008

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Você já viu um "morto cerebral" dando entrevista?

Dica da Dra. Alice Teixeira da Unifesp:

"Aí vai para vcs a entrevista, em vídeo, com o "morto cerebral", Zack, que está sendo tão comentada. O Dr. Cícero Coimbra, que há longa data vem criticando os métodos de diagnóstico de morte cerebral enviou este material, é terrificante!"

http://www.msnbc.msn.com/id/23775873/from/ET/

"Morte cerebral nunca é realmente morte", afirma especialista

Especialista diz: o termo "morte cerebral" foi inventado a fim de se obter órgãos. Nunca foi baseado na ciência".

John Jalsevac

OKLAHOMA, EUA, 27 de março de 2008 (LifeSiteNews.com) -- Zack Dunlap, um rapaz de 21 anos diagnosticado como "cerebralmente morto" e que estava a minutos de ter os órgãos removidos por uma equipe médica, agora diz, quatro meses depois do acidente que o levou à beira da morte, que ele se sente "muito bem". O caso de Dunlap foi noticiado pela NBC no começo desta semana, e ele próprio foi entrevistado.

O caso de Zack está sendo louvado nos meios de comunicação como "milagre", porém um neonatologista e especialista em morte cerebral relatou para LifeSiteNews.com que o caso de Zack, ainda que seja num sentido extraordinário, não é tão raro quanto o noticiário da grande mídia faz parecer.

"O jovem nunca morreu", disse o Dr. Paul Byrne, ex-presidente da Associação Médica Católica. Ele começou a escrever sobre o tema da morte cerebral em 1977. O que torna o caso de Dunlap raro, ainda que não inédito, diz Byrne, é que Zack foi sortudo o suficiente para ser constatado com vida antes da remoção de seus órgãos vitais.

"Embora a história dele seja apresentada como algo miraculoso", ele disse para LifeSiteNews, "não quero remover nada que seja de Deus, mas não é sobrenatural o que ocorreu. Se há algo sobrenatural nisso, é que não conseguiram os órgãos dele antes que alguém pudesse notar algum tipo de outra reação. Ele estava sempre vivo -- seu coração estava sempre batendo, havia sempre pressão sangüínea, ele estava sempre bastante vivo".

O Dr. Byrne diz que durante anos ele vem coletando informações sobre numerosos casos em que pacientes rotulados como cerebralmente mortos "voltaram dos mortos". O motivo, diz Byrne, é que "morte cerebral jamais é realmente morte".

Zack Dunlap sofreu numerosos ossos quebrados e grave traumatismo craniano em novembro passado depois de se envolver num acidente, em que ele perdeu o controle do carro que estava dirigindo e capotou. No hospital os médicos diagnosticaram o jovem como "cerebralmente morto". Autoridades de Oklahoma foram informadas de que Zack estava legalmente morto e que seus órgãos deveriam ser removidos.

"Queríamos nos assegurar de que alguma pessoa sortuda continuasse a viver com o coração de Zack", Pam, a mãe de Zack, disse para a NBC.

Planos para remover os órgãos dele, porém, foram adiados de forma dramática.

Dois dos primos de Zack, ambos enfermeiros, disseram que, nos momentos finais antes da chegada da equipe médica que iria remover os órgãos de Zack, eles sentiram que seu primo não havia verdadeiramente morrido. Confiando num pressentimento, Dan Coffin passou seu canivete no pé de Zack. O paciente com suposta morte cerebral reagiu imediatamente afastando o pé. Coffin então enfiou sua própria unha debaixo da unha de Zack, um lugar especialmente sensível do corpo, e seu primo de novo reagiu afastando o braço.

"Passamos de um momento de extrema tristeza para, 'Oh, meu Deus, nosso filho ainda está vivo!'" relatou Pam Dunlap.

A avó de Zack disse que ela também sentia, como os primos de Zack, que seu neto não estava pronto para morrer. Logo antes que seu neto começou a mostrar sinais de vida de novo, ela entrou no quarto dele e orou por um milagre. "Ele era jovem demais para Deus levá-lo", ela disse com lágrimas nos olhos na entrevista da NBC. "Não era a hora".

"Eu havia ouvido de milagres minha vida inteira. Mas nunca vi um. Agora, eu vi um milagre. Tenho prova disso", disse ela.

"Ambos sentimos que Deus tem algum plano grande para Zack. Faremos tudo dentro de nossas possibilidades para ajudá-lo a alcançar esse plano -- qualquer que seja", disse a mãe de Dunlap.

O próprio jovem disse para a NBC que ele ouviu os médicos o declararem cerebralmente morto, e comentou: "Estou contente que eu não conseguia me levantar para fazer o que eu queria fazer". Quando lhe perguntaram o que ele queria fazer, ele respondeu: "Provavelmente, eu lançaria os médicos pela janela".

"Estou muito, muito agradecido que eles não desistiram", ele disse sobre as últimas tentativas de seus primos de descobrir se ele ainda estava vivo. "Só os bons morrem cedo. Por isso, não morri", brincou ele.

O pai de Zack, Doug Dunlap, diz que ele não culpa ninguém, indicando que os médicos lhe deram a certeza de que seu filho estava morto, e que não havia fluxo sangüíneo em seu cérebro. "Eles disseram que ele estava com morte cerebral, que não havia vida. Por isso, nos preparamos".

Quarenta e oito dias depois do acidente de Zack, o jovem voltou para casa, andando sozinho. Ele ainda sofre alguns problemas emocionais, perda de memória e outras conseqüências do acidente, e uma recuperação total pode levar um ano. Mas seus pais dizem que estão simplesmente gratos que seu filho esteja vivo.

O Dr. Byrne, por outro lado, disse para LifeSiteNews.com que o caso de Zack deve ser visto como um aviso sobre a insuficiência dos critérios de morte cerebral. Ele disse: "Embora esse caso mostre que o jovem estava ouvindo os médicos conversando e declarando-o com morte cerebral, a pergunta é: Quantos outros doadores de órgãos estão em situação semelhante?"

"O termo morte cerebral foi inventado a fim de se obter órgãos. Nunca foi baseado na ciência".

Em 2007 o Dr. John Shea, o conselheiro médico de LifeSiteNews.com, escreveu concordando com as preocupações de Byrne sobre morte cerebral, dizendo que o critério de "morte cerebral" é teoria científica, e não fato, acrescentando que é uma teoria que é particularmente aberta para abusos utilitários e portanto deve ser tratada com extrema cautela. Ele também apontou que há o problema adicional de que há vários conjuntos de critérios de morte cerebral, onde uma pessoa pode ser considerada morta de acordo com um critério, e não por outro.

Traduzido e adaptado por Julio Severo: www.juliosevero.com.br; www.juliosevero.com

terça-feira, 1 de abril de 2008

Embrião Humano

Por Claudio Lemos Fonteles

Tem sido interessante observar as vicissitudes que os defensores da pesquisa com células tronco embrionárias vêm adotando.

A princípio, centralizavam-se na argumentação de que a vida humana não começa na fecundação, mas em etapas posteriores: nidação, ou seja, chegada ao útero; formação do sistema nervoso; etc.

Diante da evidência de que o zigoto, célula primeira resultante daunião do espermatozoide com o óvulo, por si mesmo, sem qualquer interferência da mãe ou do pai, desenvolve-se à formação dos vários e próprios sistemas, normalmente a culminar no nono mês da gestação, focam , agora, o destino dos embriões congelados em clínicas reprodutivas.

Por esse viés de argumentação melhor sorte não têm.

De pronto é de se considerar grave omissão do Ministério da Saúde no tema.

Nenhuma palavra foi dita pelo Senhor Ministro no transcorrer do debate.

Se o próprio artigo 5º diz que as pesquisas incidem sobre "embriões congelados há 3 anos, ou mais ", imperativo se faz o controle do Ministério da Saúde sobre as clínicas de reprodução assistida criando banco de dados, onde estejam catalogadas todas que operam em nosso País, e , mantido o mais absoluto sigilo, o registro de origem, chegada e destino (se congelados ou implantados) dos embriões, inclusive os valores pecuniários envolvidos no contrato.

Fora daí, como saber-se se os embriões congelados datam de mais de três anos?

A discussão deve ter, por consectário claro, a suspensão da inércia do Ministério da Saúde em relação às clínicas de reprodução assistida.

O tema central do debate está, verdadeiramente, em marcar-se o início da vida humana.

Se a Constituição Federal, como princípio fundamental afirma "a dignidade humana", e como direito fundamental "a inviolabilidade do direito à vida", óbvio que há de se definir quando começa a vida para que, por ser digna, seja inviolável.

Por mais - e isso não foi até hoje contestado - casos há de embriões humanos congelados por 5, 7, 12 anos que vivem, agora, no estágio de crianças, ou no de jovens, por que somos nós, primeiramente, embriões, depois fetos , bebês, crianças, jovens, adultos e velhos.

A afirmação é: não se pode matar a vida, ainda que em estágio embrionário, a pretexto de cura.

A um, porque no caso das células embrionárias não há, no mundo, a comprovação de resultado terapêutico favorável.

A dois, porque aberto fica amplíssimo horizonte de pesquisas científicas com as chamadas células tronco adultas, que já apresentam resultados terapêuticos favoráveis.

Aliás, a evolução da ciência é fator inconteste. Hoje, já se sabe que o cordão umbilical é fonte importante à pesquisa da medicina regenerativa, dada a possibilidade real de pluripotência, que encerra.

E mais, em dias recentes o método científico Reprogramação Genética de Células Adultas do próprio paciente encaminha para a obtenção das propriedades de totipotência nas células adultas, sem que se comprometa o embrião humano.

Reitero, a procedência da Ação Direta de Inconstitucionalidade significa cessar uma única linha de pesquisa, propiciando permaneça presente amplo leque de pesquisa.

Assim, a Ação Direta de Inconstitucionalidade em nada compromete a liberdade de pesquisa, até porque liberdade não há quando signifique eliminar vidas humanas na etapa embrionária.

A vida humana é dinamismo essencial inesgotável.

Do embrião ao ancião seja-nos permitido vivê-la.