quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Ex-abortista morre aos 84 anos como ativista pró-vida

Terça-feira, 22 de fevereiro de 2011, 16h44

Leonardo Meira
Da Redação, com informações de National Catholic Register (em inglês - tradução de CN Notícias)


Arquivo
http://img.cancaonova.com/noticias/noticia/280566.jpg
O médico ginecologista Bernard Nathanson
O ginecologista norte-americano Bernard Nathanson - que atuou em mais de 75 mil abortos antes de se tornar um importante líder pró-vida e converter-se à fé católica - morreu na segunda-feira, 21, em Nova Iorque, após uma prolongada batalha contra o câncer. Ele estava em casa e tinha 84 anos.

O último aborto que praticou foi em 1979, mesmo ano em que deu uma guinada em sua trajetória e tornou-se pró-vida. Devido ao número de intervenções que praticou, era conhecido como "Rei do Aborto".

Anos depois, em 1985, produziu o
 filme "O Grito Silencioso", considerado um marco, pois foi o primeiro a mostrar imagens ultrassonográficas de uma criança sendo destruída por instrumentos durante um aborto. Ele também produziu o documentário "Eclipse da Razão", em que mostra e explica diversos procedimentos abortistas em um gráfico detalhado.

Nathanson também publicou diversos livros influentes sobre a temática, incluindo "Aborting America", em 1979, juntamente com Richard Ostling, no qual revelou os enganosos e desonestos inícios do movimento pró-aborto e destruiu o argumento de que o aborto seria seguro para as mulheres.

Ele admitiu muitas vezes que ele e outros médicos defensores do aborto, nos anos 1960, mentiam sobre o número de mulheres que morria em decorrência da prática ilegal naquela época, inflacionando o valor de algumas centenas a cada 100 mil para ganhar simpatia para sua causa.

"A mão de Deus"

Na sua autobiografia "A Mão de Deus", lançada em 1996, ele narrou sua trajetória de pró-aborto a pró-vida. Nathanson contou que foi através da nova tecnologia da ultrassonografia que, em 1970, ele convenceu-se que o recém-nascido já era um ser humano.

Acerca dos enormes desafios para restaurar uma ética pró-vida, ele escreveu: "Aborto é, agora, um monstro tão inimaginavelmente gigantesco que pensar em colocá-lo de volta na jaula atrás das grades… é ridiculamente impensável. No entanto, essa é nossa responsabilidade - um esforço gigantíssimo".

Ele observou, lamentando-se: "Eu sou um daqueles que ajudaram a iniciar essa era bárbara".

No fim da década de 1960, ele ajudou a fundar a Liga Nacional de Ação pelo Direito ao Aborto (Naral, na sigla em inglês), que teria um papel decisivo na legalização da interrupção da gravidez nos Es tados Unidos, em 1972.

Globalmente, as estimativas de Nathanson é de que tenha presidido cerca de 60 mil abortos como diretor de unidade, foi diretor de práticas na performance de outros 15 mil, e pessoalmente realizou outros 5 mil, incluindo o de um filho concebido com uma namorada, nos anos 1960.

Batizado Católico

Por mais de uma década após tornar-se pró-vida, Nathanson descrevia a si mesmo como um judeu ateísta. No entanto, em dezembro de 1996, foi batizado como católico pelo Cardeal John O’Connor em uma Missa privada, da qual participou um grupo de amigos, na Catedral São Patrício, em Nova Iorque. Ele também recebeu o Crisma e a Primeira Comunhão do Cardeal.

Sobre o batismo, ele disse: "Eu estava em um verdadeiro turbilhão de emoções, e então estava lá esta cura, água de refrigério em mim, e vozes suaves, e uma sensação indescritível de paz. Eu tinha encontrado um lugar seguro".

Entre os que concelebraram a Missa estava o padre C. John McCloskey, um sacerdote do Opus Dei que instruiu Nathanson na fé durante muitos anos.

"Ele foi um profeta pró-vida", disse padre McCloskey em uma entrevista recente. "Ele observou a vinda de toda a cultura de morte, e sabia que o aborto era apenas a ponta do iceberg".

Nathanson visitou padre McCloskey periodicamente durante mais de uma década, conta o sacerdote, até que, em uma dia de 1994, disse que queria se tornar católico. Depois de seu batismo, conta padre McCloskey, Nathanson "viveu a fé, frequentou os sacramentos, e falou sem medo sobre o catolicismo".

Nathanson contou que foi atraído para mais perto de Deus quando viu um massivo evento Operação Resgate, quando centenas de pessoas sentaram em frente a um prédio da Planned Parenthood (organização abortista) em Nova Iorque, bloqueando o tráfico. A visão de tantos pró-vidas arriscando-se desinteressadamente e com o risco de serem presos fez ele perceber que deviam estar atendendo a um chamado maior, explicou.

Nathanson casou-se e divorciou-se três vezes antes de ser casado na Igreja pelo padre McCloskey, logo depois de se tornar católico. Sua esposa, Christine, continua viva, assim como seu filho, José, fruto de uma união anterior.




terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Desconstrução da heteronormatividade

(para não dizer destruição da família)

Após a eleição de Dilma Rousseff, houve notícias tristes, mas não surpreendentes. Os últimos dias do governo Lula destacaram-se por uma série de medidas em favor do homossexualismo. No ministério composto por Dilma, encontramos a defesa da descriminalização do aborto e do uso de drogas, assim como o combate à “homofobia”. Em 6 de janeiro de 2011, foi publicado no Diário Oficial da União a resolução 1957/2010 do Conselho Federal de Medicina, que estendeu a duplas homossexuais o direito à “reprodução assistida”[1]. O Ministério do Turismo prevê neste ano um incentivo ao turismo homossexual, baseado em um acordo assinado entre Abrat GLS (Associação Brasileira de Turismo para Gays, Lésbicas e Simpatizantes) e a Embratur em 21/10/2010[2].

O que foi feito do PNDH-3?
Em 21/10/2009, o presidente Lula presenteou os brasileiros com Decreto 7037/2009, que aprovou o 3º Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3)[3]. No programa constava explicitamente “apoiar a aprovação do projeto de lei que descriminaliza oaborto, considerando a autonomia das mulheres para decidir sobre seus corpos” (Eixo orientador IV, diretriz 9, objetivo estratégico III ação programática g). Atendendo a protestos, em 12/05/2010 Lula resolveu suavizar o texto, com o decreto 7170/2010: “considerar o aborto como tema de saúde pública, com a garantia do acesso aos serviços de saúde”. O conteúdo permaneceu o mesmo, embora velado, pois toda vez que o governo se refere ao aborto como tema de “saúde pública” não se refere à saúde do bebê em gestação, mas à saúde da gestante que sofre danos em razão de abortos “mal feitos”. Permanece portanto, o propósito de descriminalizar o aborto e praticá-lo no SUS.
O mesmo decreto 7170/2010 resolveu recuar (ao menos, por enquanto), no propósito de “desenvolver mecanismos para impedir a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos da União” (Eixo orientador III, diretriz 10, objetivo estratégico VI ,ação programática c).
No entanto, o PNDH-3 permaneceu intacto em seu propósito de “apoiar projeto de lei que disponha sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo” e “promover ações voltadas à garantia do direito de adoção por casais homoafetivos” (Eixo orientador III, diretriz 10, objetivo estratégico V, ações programáticas b, c), bem como de “garantir os direitos trabalhistas e previdenciários deprofissionais do sexo por meio da regulamentação de sua profissão” (Eixo Orientador III, diretriz 7, objetivo estratégico VI, ação programática n). O propósito do PNDH-3 em relação à família resume-se no seguinte: “reconhecer e incluir nos sistemas de informação do serviço público todas as configurações familiares (sic) constituídas por lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, com base nadesconstrução da heteronormatividade (sic)” (Eixo orientador III, diretriz 10, objetivo estratégico V, ação programática d).
Em vez de destruir, “desconstruir”. “Heteronormatividade” é a regra, absurda para o governo, segundo a qual homens só se casam com mulheres, e mulheres só se casam com homens. É preciso destruir (ou “desconstruir”) essa regra, reconhecendo outras formas de família, o que significa, na verdade, destruir a família natural. A família assim deixa de ser o “santuário da vida”[4] e passa a designar qualquer aglomerado de pessoas (no futuro, também animais?), com qualquer tipo de comportamento sexual (incluindo a pedofilia?), orientado ou não à procriação. A vida deixa de ser sagrada, para ser o produto do encontro casual de um macho e uma fêmea da espécie humana. A promoção do aborto é coerente com a defesa da desestruturação da família. Ambas são bandeiras de nosso governo petista.

Mais de R$ 300 milhões contra a “homofobia”
Segundo Lula, homofobia é uma “doença perversa”[5] que leva os brasileiros a não aceitarem com naturalidade o vício contra a natureza. Segundo pesquisa da Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT, 99% dos brasileiros maiores de 16 anos têm essa “doença”[6]. Os sintomas são vários: desde franzir a testa diante das obscenidades de uma Parada Gay até não admitir um candidato homossexual em um seminário ou casa religiosa. Em 23 de novembro de 2010, a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado aprovou uma emenda ao orçamento de R$ 302,8 milhões para iniciativas de apoio à “prevenção e combate à homofobia”[7].

Criação do Conselho Nacional de Combate à Discriminação
Para combater os 99% dos brasileiros doentes de “homofobia”, em 9 de novembro de 2010, o presidente Lula criou, por meio do decreto 7388/2010, um Conselho Nacional de Combate à Discriminação[8], composto apenas pela elite daquele um por cento que não tem essa doença. Sua finalidade é “formular e propor diretrizes de ação governamental, em âmbito nacional, voltadas para o combate à discriminação e para a promoção e defesa dos direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – LGBT” (art. 1º, decreto 7388/2010).

Benefícios previdenciários para duplas homossexuais
Em 9 de dezembro de 2010, o Ministério da Previdência Social assinou a Portaria 513/2010[9], que passa a enquadrar as duplas homossexuais no conceito de “união estável” para fins previdenciários. Sem dúvida, mais um passo em direção ao reconhecimento do “casamento” entre pessoas do mesmo sexo.

“Kit gay” para crianças e adolescentes nas escolas
O Ministério da Educação e Cultura pretende forçar as escolas a corromper os adolescentes, apresentando a conduta homossexual como aceitável e a conduta “homofóbica” como abominável. Para este fim, foi produzido um “kit de material educativo [?] composto de vídeos, boletins e cartilhas com abordagem do universo de adolescentes homossexuais que será distribuída para 6 mil escolas da rede pública”. Parte do material foi exibido em 23 de novembro de 2010 na Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados, durante o seminário “Escola sem Homofobia”. O vídeo “Encontrando Bianca” apresenta um jovem de 15 anos, chamado José Ricardo, que insiste em se vestir de menina e ser chamado de Bianca. Ele aparece como vítima de perseguições “homofóbicas” e sofre dilema no momento de escolher o banheiro feminino em vez do masculino. A versão feminina da peça audiovisual mostra duas meninas “namorando”. Os produtores ficaram três meses discutindo sobre até onde deveria entrar a língua na cena do beijo lésbico[10].

Ministra Iriny defende o direito de a mulher “decidir”
Iriny Lopes, petista, escolhida por Dilma para ocupar o cargo de ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, declarou à Folha de São Paulo: “não vejo como obrigar alguém a ter um filho que ela não se sente em condições de ter. [...] Ninguém defende o aborto, trata-se de respeitar uma decisão que, individualmente, a mulher venha a tomar”. No 3º Congresso Nacional do PT, em 2007, Iriny havia defendido a proposta de descriminalização do aborto, que se transformou em resolução do Partido[11].

Ministra Maria do Rosário promete cumprir PNDH-3
Maria do Rosário, petista, nomeada ministra da Secretaria de Direitos Humanos, em seu discurso de posse de 3 de janeiro de 2011, prometeu cumprir as metas do PNDH-3 e combater a “homofobia”[12].

Ministro Cardozo quer discutir descriminalização do uso de drogras
Em 5 de janeiro de 2011, o novo Ministro da Justiça José Eduardo Cardoso declarou que é favorável a uma discussão pública sobre a descriminalização do uso de drogas. Para ele, o assunto “precisa ser colocado para a sociedade”[13].

PLC 122/2006: a incriminação da “homofobia”
Para o governo, opor-se ao homossexualismo não é apenas uma “doença perversa” que precisa ser curada, nem somente uma falta de educação que deve ser remediada com vídeos (des)educativos. O sonho do governo é transformar a “homofobia” em crime, instaurando o terror sobre a esmagadora maioria dos brasileiros ditos “homofóbicos”. É isso o que pretende o PLC 122/2006, que o PT lamenta não ter conseguido aprovar até o final de 2010. É possível desarquivar o projeto, caso haja o requerimento de um terço dos senadores. Uma vez desarquivado, o PLC 122/2006 poderá continuar a tramitar pelo Senado.
Conclusão
O Brasil ainda não tem a eutanásia da Holanda, o “casamento” de homossexuais da Espanha nem o aborto dos Estados Unidos. Embora haja países mais moralmente corrompidos que o nosso, o governo brasileiro se destaca, desde a ascensão do PT em 2003, por uma campanha ininterrupta e onipresente em favor da corrupção das crianças, da destruição da família e da dessacralização da vida. Para nossa vergonha, é difícil imaginar, em todo o planeta, um governo que mais tenha investido na construção da cultura da morte.
 Anápolis, 11 de janeiro de 2011
              Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
    Presidente do Pró-Vida de Anápolis
    Telefax: 55+62+3321-0900
    Caixa Postal 456
    75024-970 Anápolis GO
   "Coração Imaculado de Maria, livrai-nos da maldição do aborto"

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

As ministras pró-aborto de Dilma

janeiro 4, 2011 por Wagner Moura

Novas ministras: Miriam Belchior, Tereza Campello, Izabella Teixeira, Ideli Salvati, Luiza de Bairros, Ana de Hollanda, Maria do Rosário, Iriny Lopes e Helena Chagas.
São 9 ministras. Pode haver exceções, mas nesse time de feminazis, uma é mais pró-aborto que a outra, via de regra.
Só pra se ter uma ideia, até a ministra da Pesca – da Pesca que nada tem a ver com aborto! – Ideli Salvati, é uma abortista conhecidíssima. Faça o teste… Google. Põe: Ideli Salvati aborto. São aproximadamente 80.400 resultados em 0,11 segundos. Bobagem? Vai ler sobre ela se não a conhece – tome um Engov antes e outro depois, ou a azia é certa.
Tem mais! A ministra de Direitos Humanos, Maria do Rosário. Faça o teste… Google. Põe Maria do Rosário aborto. São aproximadamente 209.000 resultados em 0,33 segundos. Não é preocupante que o nome da ministra que vai lutar pelos direitos humanos esteja tão relacionado ao tema aborto? Rum… Fin, fa, fum… Quantas vezes o seu olfato já se enganou? Acredite nele.
A ministra de Política para Mulheres, Iriny Lopes… Ah, essa é fácil, né… Quem Dilma colocaria numa pasta dessas? Tem que ser pró-aborto, óbvio. Bem, a pesquisa nos mostra, aproximadamente, 144.000 resultados com o nome da ministra e o termo aborto.
4 mil a menos que Ana de Hollanda, ministra da Cultura, irmã do Chico Buarque… A mídia diz que ela é apagada, que não sei quê. Em 0,31 segundos obtem-se aproximadamente 140.000 resultados na pesquisa com o nome de Ana e a palavra aborto.
Há números mais conservadores, claro. É um ministério feminino plural, afinal…
Na Secretaria de Promoção de Políticas da Igualdade Racial, a ministra Luiza de Bairros conseguiu aproximadamente 41.400 resultados na pesquisa por seu nome mais “aborto”.
Na Comunicação Social, a pesquisa pelo nome da ministra Helena Chagas mais aborto conta com, aproximadamente, 34.100 resultados em 0,27 segundos.
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira: aproximadamente 17.100 resultados na pesquisa.
A ministra de Planejamento, Miriam Belchior, aparece numa posição mais comportada na pesquisa. “Miriam Belchior aborto” dá em aproximadamente 15.800 resultados em 0,25 segundos.
Tereza Campello, ministra do Desenvolvimento Social: aproximadamente 5.600 resultados na pesquisa de seu nome mais o termo aborto. Que alívio! “Só” isso.
“Pessoal… Huahuauahua! Pessoalmente… Hhuahuahua! Sou contra o aborto. Mas as minhas amigas… Huahhuhauhua! Ai, ai… Ai minha barriga!”
Ah, ia esquecendo… A pesquisa com Dilma e o termo aborto dá nisto: aproximadamente 753.000 resultados (0,29 segundos). Mais de meio milhão de referências! A gente já sabia, né?

http://diasimdiatambem.wordpress.com/

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Ligeiro, leviano, irresponsável, deseducado, deseducador e, acima de tudo, machista!


“Quem é que aqui não teve uma namoradinha que teve que abortar?”
A frase, como sabem, é do governador do Rio, Sérgio Cabral, e foi dita durante um seminário da revista “Exame”, em que se discutiam oportunidades de negócios no estado por conta da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016. Não sei se Cabral se referia ao assassinato dos fetos no capítulo das oportunidades de negócios ou se fazia apenas uma digressão descompromissada sobre seu horizonte utópico.
Os leitores deste blog — os que amam, os mornos e os que odeiam  sabem o que penso a respeito. Muitos discordam; suas opiniões são publicadas desde que não façam parte de correntes organizadas e não tentem usar a minha página para espalhar números comprovadamente falsos. Já chego lá. Há pessoas que, depois de pesar prós e contras, e mesmo reconhecendo que o aborto é um trauma terrível,  entendem que a legalização é o melhor caminho. Acreditam que, entre os males possíveis, esse é o menor. Combato, sim, a tese aqui. E procuro fazê-lo fora do âmbito religioso, sempre considerando que essa é uma dimensão absolutamente legítima. Cumpre lembrar que há muitos agnósticos que se opõem à legalização. Há uma ética não-religiosa que pode nos reunir.
A tese de Cabral é, em si, constrangedora, mas o tom meio cafajeste de sua linguagem não choca menos: é ligeiro, leviano, irresponsável, deseducado, deseducador e, acima de tudo, machista, aspecto este que chama particularmente a atenção num momento em que uma mulher chega à Presidência  também ela, é bom notar, favorável à legalização do aborto, embora tenha dito o contrário para os leitores. Cabral, lembre-se, é o patrono do ministro da Dengue, José Gomes Temporão, um fanático da causa.  Se este senhor tratasse o mosquito com o mesmo rigor com que gostaria de tratar os fetos, estaríamos livres da doença…
Cabral não é obrigado a pensar como penso. Mas está obrigado, sim, a manter certas regras do decoro. Aborto, no Brasil, é crime, e, se há políticos que acreditam que deva ser descriminado, que levem adiante a sua causa. O mesmo vale, por exemplo, para as drogas — aliás, o governador também é favorável à legalização das “leves”… O que um governante não pode, por descabido, inaceitável e ilegal, é praticar este misto de naturalização com apologia do crime, tendo a ousadia de convidar os homens da platéia a confessar que tiveram “uma namoradinha” que fez aborto.
No dia 3 de dezembro, escrevi aqui que Lula e Sérgio Cabral “exibem características comuns que têm rendido a ambos bons dividendos políticos: falam rigorosamente o que lhes dá na telha sem temer o ridículo; conseguem transformar em sucessos de público mesmo os seus mais clamorosos desastres; se preciso, descem a rampa do populismo; na adversidade, atacam os adversários com impressionante rapidez e, last but not least, são amados por amplos setores da imprensa até mesmo quando se dedicam a evoluções circenses.”
Não será diferente desta vez. Se quase 80% dos brasileiros são contra a legalização do aborto, quase 100% dos jornalistas e da imprensa são favoráveis. Comento trecho a trecho a sua fala.
“O Brasil está dando certo; é aprofundar a democracia, vamos aprofundar a liberdade de imprensa, aprofundar a vida como ela é, discutir os temas que têm que ser discutidos.”Eu não sei o que quer dizer “aprofundar a liberdade de imprensa”  é o que Franklin Martins e José Dirceu, por exemplo, dizem querer. Para o governador do Rio, os que discordam dele entendem a vida como “ela não é”. Mimetiza o pragmatismo tosco de Lula, para quem a divergência ou nasce da sabotagem ou é frescura de intelectuais  e boa parte dos intelectuais o venera como manifestação, suponho, dessa frescura…
“O aborto, por exemplo, foi muito mal abordado na campanha eleitoral. Será que está correto um milhão de mulheres todo ano fazerem o aborto, talvez mais, em que situação, de que maneira?”Os números de Cabral são mentirosos. Cada um defenda o que bem entender. Eu pago o preço por pensar o que penso. Que outros façam o mesmo. O sujeito quer defender o direito de matar os fetos? Ok. Mas que tenha a coragem de fazê-lo sem precisar maquiar a sua tese com dados falsos. A fala de Cabral é mentirosa porque INEXISTE NOS SISTEMAS PÚBLICO E PRIVADO DE SAÚDE uma notificação para “aborto provocado”. Qual é a base de dados deste senhor? Nenhuma!
Um milhão de abortos provocados por ano no Brasil? O SUS, e estes são dados oficiais, realizou 3,1 milhões de curetagens entre 1995 e 2007 — 3,1 milhões ao longo de 13 anos! Nascem entre 2,8 milhões e 3 milhões de crianças a cada ano no país. Qualquer especialista sabe que a taxa de aborto espontâneo é da ordem de 25%. Assim, notem bem!, se não houvesse um só aborto provocado, aqueles 3 milhões seriam 75% do total de fetos gerados, que chegariam, então, a 4 milhões. Só os abortos espontâneos somam, portanto, um milhão! Desse total, quantos resultaram em procedimentos no SUS?  Façam a média anual!
Não vamos enfrentar? Então está bom! Então o policial na esquina leva a graninha dele, o médico lá topa fazer o aborto, a gente engravida uma moça - eu não porque já fiz vasectomia e sou bem casado - mas engravidou… Quem é que aqui não teve uma namoradinha que teve que abortar?”Vejam que Cabral acha mais fácil propor o aborto em massa do que controlar policial corrupto, o que diz muito de sua própria experiência como governador, não é mesmo? As lambanças que ele protagoniza na segurança pública do Rio são fruto desse descontrole.
O bufão fatalista está convencido de que todos compartilham de suas fraquezas morais ou éticas: “A gente engravida uma moça…” Esse “a gente”, suponho, apelava aos homens presentes, e as moças devem se contentar com o papel de receptáculos das sementes, as cabritas prenhas dos bodes descontrolados. “Quem é  que não teve uma namoradinha que teve de abortar?”, indaga um governador de estado, sugerindo que esse contratempo desapareceria com a legalização do aborto. O fato de que essa gravidez é resultado do sexo inseguro, bem, isso, para este pensador, não faz grande diferença.
Em 2007, Cabral, pai de cinco filhos, já havia concedido uma entrevista ao G1 em defesa do aborto. E expôs os seus motivos: “Tem tudo a ver com violência. Você pega o número de filhos por mãe na Lagoa Rodrigo de Freitas, Tijuca, Méier e Copacabana, é padrão sueco. Agora, pega na Rocinha. É padrão Zâmbia, Gabão. Isso é uma fábrica de produzir marginal”. Vocês já sabem que o lulista Cabral é um progressista, e eu, um “reacionário”. Eu, por reacionário, acho que o crime é uma escolha que pode ser feita por pobres e ricos. Ele, por progressista, vê em cada pobre um suspeito. Uma das notáveis contribuições de Cabral ao debate é propor que acabemos com os crimes legalizando-os; a outra, que acabemos com a pobreza acabando com os pobres.
Cabral: sem medo da represália dos fetos!O Rio não pode continuar como está, sabemos. As Unidades da Polícia Pacificadora do Tráfico já ocupam alguns morros. Mas isso é pouco. Noto que o governador está empenhado em fazer nascer menos pobres. É preciso mais ousadia. Em 2007, já fiz esta proposta ao valente político.  Por que não combinar a redução drástica de nascimentos de pobres com a elevação também drástica de nascimento de ricos? Não seria legal? Pensem bem: se, por meio do aborto, conseguíssemos quase zerar os partos da Rocinha e, por meio da Bolsa Gente Que Pode, decuplicar os de Ipanema e Leblon, é claro que o Rio seria uma cidade melhor, certo?
Cabral agrediu o decoro, o bom senso, as mulheres, o sexo seguro., a vida. Dada a forma como se expressou, fez a apologia de uma prática criminosa. Mas é possível que muitos o elogiem pela coragem com que enfrenta os fetos de peito aberto, sem temer represálias. Anotem: Sérgio Cabral é candidato a ocupar a vaga aberta por Lula no besteirol nosso de cada dia. Esse rapaz tem grandes ambições!
Por Reinaldo Azevedo